domingo, 23 de fevereiro de 2014

É muito lamentável viver pensando que as coisas da vida são por tempo limitado. Isso me deprime e faz com que não haja sentido em se prosseguir com algo fadado a um imprevisível término que, talvez, venha trazendo o fracasso.

Por isso evito pensar nisso. Não só evito, como tento imaginar que as coisas que estão boas serão para sempre e torço, lá no fundo, para estar certo.

Claro que, às vezes – como agora –, eu lembro da brevidade dos momentos, das relações, dos sentimentos... Isso me deprime.

A vida é curta, mas o triste mesmo é que as coisas boas da vida são ainda menos extensas.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

É cedo ou tarde?

... Agora é tarde pra tremer de medo e ainda é cedo pra morrer de culpa...

Não tem volta. O pavio foi aceso e as bombas vão explodir. Espero que a maioria delas exploda em alegria. Esperar é só o que posso fazer, porque o pavio já está pegando fogo...

Hoje muita gente disse que eu penso errado. Que eu posso escolher, que poderia ser tudo mais fácil para mim se eu não fosse neurótico.
Claro que é verdade. Uma parte de mim sabe bem disso.
Mas outra parte não sabe. E sabendo ou não, o pavio foi acesso e está pegando fogo. As bombas já começaram a explodir, mas muitas outras estão pela frente.

Que cada bomba seja de alegria ímpar e só algumas poucas sejam um pouquinho incômodas. Que eu não me queime e nem respire fumaça. Mas, acima de tudo, que o pavio não apague.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Eu maior

Eu não caibo dentro de mim.
As obrigações, os compromissos, os caminhos sem volta, meu corpo limitado... Tudo isso me sufoca, me prende, me desespera.
Por que só há um caminho a se seguir? Mesmo que haja mais, por que só dez ou mil caminhos, ou um milhão?
Eu me sinto volátil, expansivo, expansível, eu me sinto o Universo.
Eu não caibo dentro de mim.
Prisão, controle, direcionamento, restrição, poréns, imposições, ordem, sequência... Por quê?
Eu quero sentir o Universo, sentir a mim mesmo. Ser e cheirar e lamber e tocar e gritar e cantar muito.
Sou maior do que poderia ser.
Não quero regras. Estas próprias palavras me limitam.
Eu quero explodir em cores e sons e cheiros e texturas e sabores e formas e lembranças e amores e prazeres e delícias incessantes!
Eu quero explodir, porque eu não caibo em mim.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Estou com medo. Parece que estou na beirada de um precipício, com fones, ouvindo Raul Seixas e escrevendo isto. Parece que a qualquer momento cairei na fase ruim. Eu não posso entrar em fase ruim nenhuma, não agora. A fase ruim é péssima e eu nunca sei se vou conseguir sair. Os fantasmas, malditos fantasmas, estão circulando por aqui. As pessoas estão comemorando a data de hoje com seus familiares.
Nos resta torcer, eu e eu mesmo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Eu não acredito!


Tem gente que nasce sabendo, eu não.
Até onde eu sei, eu nasci sem saber de nada. Eu nasci sem lembrar de nada. Eu nasci sem conseguir fazer uma simples conta de 1 + 1.

Aí eu resolvi crescer.
Fui crescendo e começando a entender como as coisas funcionavam, como as pessoas se relacionavam, como falavam, entendiam e interpretavam, como as coisas eram etc.
Eu nunca entendi o porquê das palavras. Por que, por exemplo, aquilo que cerca um terreno é conhecido pelo som "muro" e não "sapinhança" ou outro som qualquer? Bem, até hoje não entendo. Mas ainda assim sempre aceitei que eu tinha que falar "muro", para que me compreendessem e eu eu pudesse satisfazer minhas vontades de me relacionar com outras pessoas.
Por que, por exemplo, aquele papel colorido feito de material barato vale um saco de feijão produzido a muito suor ou vale até um celular feito após décadas de evolução tecnológica? Ora, isso também nunca entendi, e aparentemente não há explicação alguma! Mas também aceito essa maluquice para ser mais fácil viver.

Ao longo do meu desenvolvimento, me lembro bem de ter ouvido algumas coisas nas quais eu deveria acreditar, dentre elas que o mundo é redondo, que no Brasil não há maremoto (quase não se usa mais essa palavra, hein?), que o Universo é infinito, que o Papai Noel existe, que não existe ET, que eu deveria sempre rezar e temer a Deus e que o mundo gira em torno do Sol e de si próprio, mas beeeeem devagar, por isso nem percebemos.

Algumas coisas, para mim, faziam muito sentido na época (eu ainda era bem pequeno), como a explicação do porquê não sentimos a rotação do mundo, não vemos o fim do Universo, não percebemos que a Terra é redonda (porque é beeeem grande então não dá para ver a curva que faz) etc.

Outras coisas eu não entendia e questionava. Como quando perguntei ao meu amiguinho André, no "prézinho", por que eu deveria temer a Deus se ele era tão bonzinho. O André respondeu que era porque Deus poderia me castigar se eu o desobedecesse. Eu repliquei alegando que bastava então nunca desobedecer e aí não haveria motivos para temer ao bom Deus. O André treplicou falando que eu estava errado pois sua mãe dizia que todos tínhamos de temer a Deus sempre. Eu simplesmente discordei e fim da discussão.
Isso ocorreu porque foi neste ano que nos ensinaram sobre religião e religiosidade. Eu aprendi a história do Gênesis. Claro que perguntei para a "tia" Ana Paula como poderíamos todos ser filhos de um só casal (Adão e Eva) sem que irmãos tivessem se casado e tido filhos juntos. A "tia" chamou outra "tia" e depois de uma breve conversa entre elas, me disseram qualquer coisa que eu não entendi e já não me lembro.
Lembro-me de dois irmãos, Antônia e Maomé (nomes  fictícios para eu não ser processado), filhos de um político local (conhecido por ser "Cristão"), que me perguntaram se eu era "crente ou católico".
Eu não fazia a menor ideia!
Eles explicaram então que, segundo o pai deles, "crente é quem acredita em Deus e católico é quem não acredita". Minha primeira reação foi "tem gente que não acredita em Deus?", mas em seguida respondi: "então eu sou crente". Na sequência a "tia" Ana Paula chegou e, sabendo da discussão, nos disse que na verdade todos acreditavam em Deus (católicos e crentes) e que, se não soubéssemos o que éramos, para perguntarmos aos nossos pais.

Não sei quando, mas um dia eu descobri que eu era católico.

O texto está grande e, apesar de ter apenas um leitor (eu próprio) para quem eu escrevo, não é legal demasiar desnecessariamente. Outro dia eu termino.

Mas o fundamental é: graças a minha ótima memória infantil, eu sei que eu não acredito em quase nada. As coisas eram só empurradas ou ensinadas.
Até a minha própria existência é alvo constante de dúvidas.
Mas em algumas coisas eu acredito. Mas não agora. Só em outro post.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Este não é o primeiro texto

Por achar que a morte deve ser uma coisa muito louca, onde se, e somente se, a consciência permanecer, as ideias devem dar uma embaralhada legal, decidi registrar algumas inutilidades por agora, para que eu não venha, depois de morto, por meio de alguma sessão mediúnica esbranquiçada, dar pitacos sobre quem fui agindo contra o que sempre pensei.

E isso é muito sério. Esee é o real motivo pelo qual criei este blog sobre "Minhas Memórias Pré-Póstumas".

Como, infelizmente, neste mundo assustadoramente globalizado é inevitável que um ou outro conhecido acabe por ler algo por estas bandas muito antes d'eu morrer, não entrarei em detalhes (se é que chegarei a comentar) sobre as principais peripécias dos últimos anos (há coisas muito interessantes, para dizer o mínimo), pois em sua maioria envolvem pessoas constrangíveis e magoáveis. Mas, claro, meu compromisso com o blog é eterno, portanto à medida que o tempo for passando, as pessoas naturalmente se afastando e amadurecendo, certamente escreverei sobre as principais histórias a serem contadas sobre a minha vida marginal (minha vida não é marginal, mas o termo "vida marginal" é tão divertido que eu achei que deveria usá-lo alguma vez).

Enfim, que fique claro: isto não é meu primeiro texto deste blog. É só uma primeira gorfada — os vômitos virão a seguir.